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  • Felipe Bernardo Theodoro

Insegurança, VR e Voltando pra casa


É da natureza do ser humano se perder, se achar, se perder de novo e perceber que tudo isso não passa de uma brincadeira, de um jogo. Agente se perde nas realidades que criamos com nossos pensamentos até que acordamos da ilusão que eles são.

Se você já alguma vez se sentiu bem inseguro você conhece a sensação de estar tão preso nos seus sentimentos que nada parece poder te tirar dessa realidade. A sensação de que não há saída, é como se a gente estivesse em um pesadelo em que a gente não conseguisse acordar.


Ontem eu estava pensando sobre a relação entre um desses óculos de realidade virtual (VR) e a nossa insegurança. Que se sentir inseguro é como jogar um jogo de terror com VR e todas as vezes que o monstro sai da tela agente fica com medo de que ele vai voltar, completamente absorvido no jogo. E pior, sem perceber que nós podemos tirar os óculos a qualquer momento. Nós achamos que esta é a realidade e não há nada que possamos fazer.


Eu com certeza ja senti várias vezes inseguro e quando eu estou naquele estado não há nenhuma esperança que as coisas melhorem. Quando inseguros nós estamos em um emaranhado tão grande de pensamentos que achamos que esta é a realidade.


“Eu sou inseguro”

“Eu preciso criar coragem”

“Nada da certo”

“Todos são melhores que mim”

“Eu nunca vou conseguir...”


E 99% das vezes nós direcionamos toda nossa atenção para fora. Culpamos o outro, a situação, a vida, nós mesmos.

Mas se eu estou com medo do monstro no VR, eu não preciso justificar a minha incapacidade de fugir do monstro, culpar o jogo ou tentar me motivar para eu não sentir medo. É só eu lembrar que é um jogo, não é real. E se eu não quiser jogar mais, eu posso tirar os óculos a qualquer momento.


Nossa insegurança é 100% criada por nossos pensamentos. Nós não sentimos as pessoas, a situação ou nossos defeitos. Nós sentimos nossos pensamentos todas.as.vezes.


É assim que a mente funciona. Nós sentimos nosso pensamento de insegurança e bebemos dele como se fosse vinho, até se tornar bem envelhecido, até nós acharmos que faz parte de nós, nossa realidade. Mas mesmo que você jogar um VR por anos e nunca parar, ainda sim não é a realidade. Ainda sim é só um jogo que você está obcecado em jogar.


Para nossa insegurança só basta perceber do que ela é feita. Que nós estamos dando atenção e energia a um pensamento que não nos serve. Assim que vemos com clareza que só estávamos presos na nossa mente caótica, estes pensamentos naturalmente se resolvem e nós voltamos à nossa paz de novo, voltamos pra casa.


Pois quando nossa mente está em seu estado puro, vazia, nós naturalmente nos sentimos bem, há uma sensação profunda de bem estar, uma conexão singela com o que nós realmente somos. Nós não somos nossas histórias, nossos pensamentos, nossas ideias, nossos sentimentos. Somos o espaço em que todos estes pensamentos ocorrem, passam e se dissolvem. E claro, inclusive insegurança.


Não há nada a ser feito para lidar com nossas inseguranças. Um jogo é só um jogo, não é real. Mas todas as vezes que estamos absorvidos nos personagens, é sempre bom ter a consciência de que é só um jogo.

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