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  • Felipe Bernardo Theodoro

Devemos ser gratos por tudo (principalmente sobre o que nos fez mal)?



Na minha experiência a gratidão é um desses sentimentos mais profundos que vem quando nós estamos mais presentes com a vida da maneira como ela é, quando nós não estamos tão agarrados ao passado ao futuro ou em desacordo em como as coisas realmente são, acreditando que as coisas deveriam ser diferentes.


Quando estamos presentes e vemos a vida como ela é, quando vemos as circunstâncias como elas são, nossas emoções como são neste momento, naturalmente ocorre uma sensação de bem estar e apreciamos as coisas que temos. Mas até o momento em que a nossa mente se torna mais clara para ver o que está na frente dos nossos olhos e ver as coisas como elas são, nós não sentimos gratidão porque estamos ainda muito preocupados com uma realidade que não é aqui, que não está presente. Estamos sentindo pensamentos muito inseguros sobre o que pode acontecer ou o que não deveria ter acontecido.


Agora ver as coisas como elas são não significa que nós não temos preferências, nós ainda temos desejos, há coisas que queremos fazer, experienciar ou ter mais em nossas vidas, mas elas são preferências e não uma maneira de escapar ou evitar as coisas como são.


Então se há algo em nossas vidas que nós gostaríamos que seja diferente e nós temos um certo controle para mudar-las eu não vejo o porque não de tentar. Mas é muito bom perceber o que nós temos controle sobre e o que não temos, como por exemplo, se eu não quiser experiências a chuva, ao invés de eu tentar controlar o céu (algo que eu não tenho controle) eu escolho ir para um lugar fechado e coberto, ou se eu não gosto da maneira como uma pessoa fala comigo, ao invés de eu tentar controlar ou manipular aquela pessoa, eu posso simplesmente expressar como eu me sinto e minha preferencia na comunicação, e se ela continuar falando comigo daquela maneira eu posso escolher sair da situação, sair da conversa.


Quando não estamos reagindo às nossas circunstâncias e agarrados ao nossos “deves” mentais (deve isso, deve aquilo), nós naturalmente apreciamos mais as coisas como são e a partir dali, se decidirmos mudar as coisas que temos controle, podemos.


Mas achar que devemos sentir gratos quando nós não estamos sentindo gratidão no momento é mais uma maneira de não ver e abraçar as coisas como são.


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